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Revista de Psicanálise Textura - Ano 3 / nº 3 / 2003 - ISSN: 1677-6275 - 45 págs. - R$ 10,00 - Editores: Alejandro Luis Viviani, Eliana Harfush Midlej, Luís Eduardo Salvucci Rodrigues, María Luisa Scalise de Viviani, Rosely Pennacchi, Sidnei Artur Goldberg, Taeco Toma Carignato Indexado em: Index Psi Periódicos
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Índice

Ana Costa
Tatuagem: Traço e desenho como marca corporal............................. 4
Ivan Corrêa
O tempo do desejo .......................................................................... 7
Lea Bigliani
A mãe e sua função na clínica psicanalítica..................................... 11
Leda Mariza Fischer Bernardino
A histérica e o adolescente............................................................. 15
Norberto Giarcovich
A memória no sonho .................................................................... 20
Maria Fernanda B. L. Trigo Bumlai e
Maria da Consolação Pereira Domingues
Amor e Transferência .................................................................. 24
María Luisa Scalise de Viviani
Sobre a função paterna ............................................................... 29
Paulo Schiller
Por uma psicossomática da psicanálise....................................... 33
Pedro Salem e Jurandir Freire Costa
Sobre a confiança em Balint ...................................................... 37
Sidnei Artur Goldberg
Questões a respeito da transmissibilidade da psicanálise ............42
Eliana Araújo Nogueira do Vale
Lançamento ..............................................................................45

Editores:

• Alejandro Luis Viviani
• Eliana Harfush Midlej
• Luís Eduardo Salvucci Rodrigues
• María Luisa Scalise de Viviani
• Rosely Pennacchi
• Sidnei Artur Goldberg
• Taeco Toma Carignato

Algumas Palavras

Algumas palavras, poucas, eram lidas pelos detratores de Freud e diziam com pretensa autoridade que era um grande escritor.

De fato o era, a ponto de ganhar o prêmio "Goethe". Mas este enunciado era a forma "política" de reconhecer um escritor e desqualificar um conhecimento que expressava a formulação de uma articulação conceitual produzida pela experiência clínica. Quanto mais Freud adentrava na clínica, maior era o rigor conceitual de suas formulações.

Clínica e conceitos são indissociáveis, mas um fato clínico é o que pode reformular o campo conceitual e não o contrário. Consideramos que são a prática e os escritos dos psicanalistas que sustentam a psicanálise como instituição, portanto, estes escritos são ou deveriam ser os efeitos da clínica.

O rigor conceitual de forma alguma é uma expressão de totalitarismo, isto seria confundir o discurso político com o discurso psicanalítico. Sabemos que o discurso político tradicional é oposto ao discurso psicanalítico. Brevemente: o discurso político se sustenta no engano e na oferta do objeto do desejo como troca pelo apoio eleitoral, por sua vez o discurso psicanalítico tem um compromisso com a verdade e o desejo se sustenta pela falta do objeto. O rigor conceitual consiste em formular ou apresentar como um conhecimento saber inconsciente.

Saber da pulsão "descompletado" pelo desejo na organização de uma fantasia inconsciente. Lugar da verdade do sujeito. O compromisso do psicanalista é o de levar cada análise até o fim, processo no qual o saber se organiza como verdade. E o analista expressa sua posição ética, sendo esta o compromisso com seu ato e as conseqüências deste. Seu ato: a interpretação; suas conseqüências: a retificação subjetiva do analisante e a destituição do analista, o saber e o sujeito não são mais supostos a ele. De fato, esta posição também é uma política: a subversão do sujeito frente ao engano do seu eu e, além deste, do engano de sua fantasia. Encontro inelutável com o que da verdade se expressa no saber.

A experiência psicanalítica deveria possibilitar-nos um compromisso político que implique o compromisso com a verdade, a convivência com as diferenças dentro das estratégias comuns e a destituição do pior do narcisismo.

A psicanálise é uma práxis que trata o real pelo simbólico (Lacan), os relatos clínicos são a prova eloqüente do esforço de transmissão. Sabemos também que a psicanálise estabelece um confronto e uma discussão com a concepção de ciência, desde o momento em que para a pesquisa psicanalítica é fundamental a consideração do inconsciente do pesquisador.

Retomando, trata-se do rigor conceitual em que não vale qualquer coisa, pois é da organização desse campo conceitual que se define o que é a psicanálise. Abre-se aqui a discussão com outras linhas teóricas ou terapêuticas, assim como da relação da psicanálise com a ciência.

Grande parte desta polêmica já foi aberta por Freud, especialmente em 1931, nossa responsabilidade está em continuá-la.

Alejandro L. Viviani

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