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O Psicopedagogo e a Inclusão
Escolar
Vânia Carvalho Bueno de Souza
Nívea Maria de Carvalho Fabrício
“.. .onde houver o desafio do rapaz ou
da moça em crescimento,que haja um adulto para aceitar o
desafio”(Winnicott)
Nos dias atuais de um mundo globalizado, com
a facilidade de se obter todas e quaisquer informações,
a escola deixou de ser o principal agente da educação.
A escola tradicional se depara com a necessidade de questionar
seus métodos e propostas curriculares, diante do novo perfil
de seus alunos.
O que ensinar, como ensinar, como avaliar
e quais os objetivos a serem atingidos? Pontos, antes assegurados
pelo sistema começaram,
agora, a ser discutidos. O sistema tradicional de ensino possui
uma grade rígida de conteúdo programático
quanto a desenvolvimento cognitivo e faixa etária.
Se o aluno não estiver preparado para o sistema escolar
formal, ele não irá se sentir à vontade, seguro
ou protegido, e muitas vezes pode sofrer algum tipo de discriminação.
Como se processa a inclusão escolar?
A integração na escola só acontece quando
pensamos em um projeto educacional para cada candidato à inclusão,
desde a avaliação das competências, até uma
reestruturação do projeto da escola.
É
de fundamental importância a adequação psicopedagógica às
necessidades de seu público alvo. Consideramos que seja
difícil possibilidade de uma adequada inclusão escolar
sem o trabalho do psicopedagogo, que deve apoiar a criança
nas suas angústias(1).
Se o sujeito tem dificuldades para articular
o “eu” e
o “outro” está sem autonomia para a aprendizagem,
apresenta uma discrepância entre o corpo (que pode estar
desenvolvido), o pensamento e a emoção. O sujeito
tem dificuldade de interação, sente-se ameaçado
quando está no meio do grupo. Precisa da intervenção
do psicopedagogo.
O estudante que se sente excluído necessita ser visto com
suas possibilidades, necessita de uma equipe estruturada para ajudá-lo
no desenvolvimento das questões cognitivas e também
sócio-afetivas. É o sujeito que precisa que o professor
o aceite e não o rotule por suas dificuldades, que o faça,
portanto, sentir-se seguro e com garantia de compromisso de que
suas necessidades serão consideradas.
Para que a inclusão seja efetuada, precisamos de um fio
condutor integrativo para articular o sujeito e o grupo. Não
só trabalhar a diversidade em sala de aula, mas em toda
a escola. É necessário também, maturidade
profissional de todo o grupo na busca de um trabalho efetivo, com
capacidade de desenvolver recursos próprios para lidar com
a frustração das possibilidades de insucessos. Todos
os funcionários da escola devem conhecer como o aluno aprende,
suficientemente bem, para atendê-los nas diversas situações
do cotidiano escolar.
Devemos promover uma formação permanente de uma escuta
adequada de todos os setores envolvidos, o clínico, o institucional,
o familiar, o diálogo com toda a comunidade. Os pais serão
orientados sistematicamente, pois a família precisa estar
ao lado do estudante, compartilhar seus mitos, anseios, e expectativas
objetivas.
É necessário que haja uma atitude ética que proporcione
o compromisso técnico-científico com a aprendizagem, com a formação,
com a qualidade na aprendizagem.
Porque acreditamos na singularidade do indivíduo, podemos propor a parceria
com os profissionais que atendem os alunos, para respeitarmos o desenvolvimento
pessoal de cada um. A aprendizagem é individual e a formação
acontece no trânsito grupal das inter-relações.
Nosso referencial:
Projeto Singular
Tutoria
Agrupamentos sistemáticos alternados
Oficinas
Nosso movimento é o que busca o aluno, vamos até ele.
Não trabalhamos com diagnósticos. Trabalhamos enfocando
cada caso, cada história, apostando em suas possibilidades
e perspectivas. Trabalhamos a descoberta do EU POSSO, para garantir
uma significativa descoberta do EU APRENDO.
O processo de inclusão pode ser uma verdadeira relação
ensino-aprendizagem, uma relação circular e não
linear, na qual cada indivíduo ora é o chamado aprendente,
ora é o chamado ensinante.
Acreditamos que o trabalho do psicopedagogo
pode garantir o acolhimento e o desenvolvimento dos alunos que
necessitam de uma educação
inclusiva.
Este Relato foi resultado do trabalho realizado no Colégio
Graphein.
Colaboração da Equipe do Colégio Graphein – São
Paulo.
1. Etimologicamente pedagogia (do grego: paidós
= criança,
e de agogía = condução) equivale a condução
de crianças. Em suas origens o pedagogo (paidagogos) foi
o escravo que cuidava das crianças e os acompanhava à escola.
Pedagogia agora, em uma forma bem mais ampla, é o estudo
e a regulação do processo da educação.
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