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CLEPTOMANIA, um problema velado, é mais
comum do que se imagina - Problema pode ter início na infância
Compulsão desenfreada para o roubo. Assim é definida
a cleptomania que pode
atingir crianças, adultos e idosos, indistintamente, sendo
mais comum em
mulheres. Uma das características essenciais da patologia é a
dificuldade em
resistir ao impulso de furtar, não importando o valor do
produto roubado. "
Muitas vezes esses objetos possuem pouco valor e o cleptomaníaco
teria
condições de comprá-los, mas, freqüentemente,
os dá de presente ou joga-os
fora", afirma a psicóloga Nancy Erlach.
Quem sofre de cleptomania tem um sentimento de crescente tensão
antes do
furto e sente prazer, satisfação e alívio
ao cometê-lo. "O estímulo a essa
sensação é que leva essas pessoas a cometer
o ato", afirma Nancy. Segundo
ela, poderia se fazer uma analogia ao consumo de drogas ou a compulsão
por
comida, pela sensação que essas ações
proporcionam.
Um dado interessante analisado pela profissional é que
muito dos indivíduos
com este transtorno evitam furtar quando alguma conseqüência
mais grave pode
acontecer. "Tive o caso de um paciente que não se controlava
de forma
alguma, porém, quando percebia que havia câmeras no
estabelecimento ou que a
polícia pudesse chegar, com certeza, abortava a ação",
afirma a psicóloga.
Ela explica que os furtos não são planejados antecipadamente,
nem há grandes
elucubrações para realizá-lo. "O roubo
sempre é cometido somente pela
pessoa, sem participação de outras e ela não
leva em conta o fato de poder
ser pega em flagrante caso o risco não seja iminente",
afirma Nancy. Segundo
ela, a carência de quem vive esse constrangedor problema
está, quase sempre,
bem distante da financeira.
"Normalmente a causa é uma forte carência de
carinho e atenção e o processo
costuma ter início na infância; a criança busca
sua profunda falta de afeto
que a leva geralmente ao desespero", explica a profissional.
Segundo ela, os
pais devem, principalmente hoje em dia, tomar muito cuidado pois
a falta de
tempo, o pouco contato com a criança, pode desencadear este
processo sem que
se perceba. "As crianças precisam de atenção,
carinho, amor, compreensão;
sem isso, elas, que ainda estão formando seus sentimentos,
podem desviar
para qualquer compulsão, entre elas a cleptomania",
diz Nancy.
Ela revela que quando as crianças então
se sentem frustradas, furtam para se
compensar de algo, roubam na tentativa de conseguir o amor que
precisam e
não recebem dentro de casa. "Nesses casos, o objeto
roubado assume um valor
simbólico; ela está, na verdade, resgatando o amor
que lhe falta", explica a
psicóloga.
Outro cuidado que deve ser tomado pela família é com
comentários que podem
desencadear o processo. "Dizer, por exemplo, que o vizinho
roubou a
correspondência, a faxineira furtou um objeto, entre outros,
pode parecer,à primeira vista, um comentário sem sentido, mas, num quadro
de carência
aguda, pode ser o início da cleptomania para uma criança
que a levaráà idade adulta", alerta a profissional.
Segundo Nancy, quando cuidadosamente diagnosticada,
a cleptomania pode ser
tratada com sucesso, mas dificilmente eliminada. Ainda existem
poucos
estudos e escassa literatura sobre a enfermidade, mas se sabe que
indivíduos
acometidos por este transtorno podem apresentar alguns distúrbios
associados, tais como : anorexia nervosa, bulimia nervosa, fobias,
distúrbios ansiosos e depressão. "Esta última é a
mais comum", afirma.
Ela alerta também para as pessoas que
buscam tratamento. De acordo com a
profissional, quase sempre são aquelas pegas roubando, ou
seja, é muito
difícil alguém procurar auxílio psicológico
por si só e, por isso, a
cleptomania acaba sendo um problema velado.
"Medicamentos antidepressivos podem funcionar bem, mas, mesmo
assim, aindaé um tratamento difícil, pois depende muito da boa vontade
do paciente já que,
muitas vezes, ele não se enxerga doente e, portanto, não
deseja melhorar",
afirma a psicóloga.
Nancy explica que o melhor a fazer é tratar
o paciente com terapia e
realizar análise contínua já que o desaparecimento
total e definitivoé difícil. Ao menor
sinal, os pais devem procurar profissional capacitado para
tentar parar a evolução da cleptomania. "O trabalho
realizado na
psicoterapia é buscar o desenvolvimento do autocontrole
da pessoa; devemos
ter um diálogo aberto com o paciente e jamais culpá-lo
pelo seu ato.É importante fazê-lo entender
o que a enfermidade causa para si e para a
sociedade, que envolve família e amigos", finaliza
a psicóloga Nancy Erlach.
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