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Esteróides Anabolizantes – Parte
2.
Fernando Falabella Tavares de Lima – Psicólogo,
Diretor clínico do NetPsi – JUNHO de 2004.
Há alguns anos atrás escrevi
um pequeno texto sobre os esteróides anabolizantes, sem
grandes pretensões, como forma de divulgação
de informações corretas e científicas, numa
linguagem clara e objetiva. Para minha surpresa, tal artigo obteve
um grande índice de leitores no site do Núcleo de
Estudos e Temas em Psicologia – NetPsi. Considero, então,
conveniente uma segunda vista na temática, através
desta atualização.
Sabe-se que o abuso de anabolizantes vem desde a década
de cinqüenta, mas foi no final da década de noventa
que o número de atletas e jovens em geral que fazem uso
dessas drogas aumentou sensivelmente.
Todos sabem que há riscos envolvidos no uso abusivo de
qualquer droga, inclusive dos esteróides, mas sempre é bom
lembrar que, neste caso, há danos sérios como: ataques
do coração, problemas hepáticos, mudanças
não desejadas no corpo, além do risco de infecções
como a Hepatite B e C, e o vírus HIV, causador da AIDS.
Lembremos que os esteróides são uma família
de substâncias sintéticas relacionadas aos hormônios
sexuais masculinos, andrógenos, que provocam o crescimento
da musculatura esquelética e o desenvolvimento de características
sexuais masculinas. Há mais de cem tipos de esteróides,
mas todos deveriam ser utilizados com acompanhamento médico.
Tanto entre adolescentes quanto entre adultos, o uso é mais
freqüente em homens. Mas, são as mulheres jovens o
setor que mais cresce em termos de uso dessas drogas.
As pessoas abusam de esteróides em busca de melhorias no
rendimento esportivo, para aumentar a musculatura e/ou reduzir
a gordura corpórea. Algumas vezes são tomadas doses
em forma de “pirâmide”, ou seja, em ciclos de
seis a doze semanas. A dosagem vai sendo aumentada ao longo do
ciclo. Quando chega na metade do ciclo, as doses vão sendo
diminuídas e se reduzem até chegar a zero. Porém,
convém destacar que os objetivos desejados, muitas vezes
não são alcançados. Há riscos de efeitos
secundários adversos: aparecimento de acne, desenvolvimento
de seio nos homens e aparecimento de barba nas mulheres. Claro
que a maioria desses efeitos podem ser revertidos quando a pessoa
para de abusar, mas há efeitos que podem ser permanentes.
Daí a necessidade de se consultar um médico e de
se avaliar qual é a necessidade (psíquica) que embasa
a escolha por essas drogas.
Fala-se bastante sobre a redução do esperma no homem
e da redução dos testículos. Efetivamente,
ocorre a atrofia testicular e a diminuição dos espermatozóides,
mas se tratam de efeitos reversíveis. Porém, a calvície
e o desenvolvimento de seios (ginecomastia) são efeitos
irreversíveis. Não se sabe ao certo a causa do desenvolvimento
de seios, mas segundo a NIDA , trata-se de um desequilíbrio
hormonal. No caso das mulheres, além do engrossamento da
voz, há um aumento no tamanho do clitóris e uma masculinização
do corpo, com a diminuição dos seios e dos níveis
de gordura corporal.
Estudos da NIDA indicam que altas doses de esteróides estão
associadas ao aumento do nível de agressividade e de irritabilidade
dos usuários. Também se sabe, que em algumas pessoas,
o uso de esteróides provocam outros efeitos comportamentais:
euforia, aumento da energia e excitação sexual, falta
de memória, mudanças no estado de humor.
Os esteróides são drogas que causam dependência
e síndrome de abstinência em quem deixa o uso. Mudanças
no ânimo, insônia, fadiga, perda de apetite, diminuição
do desejo sexual e vontade excessiva de regressar ao uso da droga,
são alguns dos sintomas da crise de abstinência da
droga.
Sugere-se que o tratamento para quem quer deixar o uso seja feito
por um médico e por um psicólogo. Em alguns casos,
pode-se fazer uso de remédios para auxiliar na diminuição
do mal estar da abstinência. Evidencia-se, então,
o grande risco que pode ser o início descuidado do uso de
tais substâncias.
Para maiores informações, consulte
o site: www.steroidabuse.org ou www.clubdrugs.gov.
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